O Conselho Português para a Paz e Cooperação condena veementemente os massacres ocorridos, há dias, na Síria pelas chamadas «forças de segurança do novo governo» – na verdade por membros dos grupos armados, como a Al-Qaeda ou o Estado Islâmico, que durante mais de uma década aterrorizaram o país e cometeram hediondos crimes contra a sua população
Estes ataques visaram minorias étnicas e religiosas, sobretudo cristãos e alauítas, mas também pessoas ligadas a organizações políticas e sociais que defendem um Estado democrático e secular. Para além dos muitos mortos, entre os quais mulheres e crianças, os massacres provocaram também novas vagas de refugiados.
Como o CPPC alertou, em Dezembro do ano passado, o derrube do governo do ex-presidente Bashar Al-Assad e a tomada do poder por forças fundamentalistas agravava «os riscos de uma nova escalada da violência e do fim da existência deste país enquanto Estado soberano e secular».
Hoje, a Síria tem regiões militarmente ocupadas por forças estrangeiras – norte-americanas, turcas e israelitas –, é promovida a violência sectária e os direitos e liberdades democráticas são cerceadas, incluindo contra os direitos das mulheres.
O CPPC denuncia ainda a cobertura mediática tendenciosa, que esconde e relativiza os crimes cometidos pelo novo poder sírio, que continuam a procurar apresentar como «democrático».
Recorde-se que, até 2011, as diferentes etnias e comunidades religiosas na Síria viveram em paz, assegurando a existência de um Estado multiétnico, plurireligioso e secular. A República Árabe Síria constituiu igualmente um importante apoio à resistência do povo palestiniano e um forte obstáculo aos projectos dos EUA e de Israel para a região.
Para o CPPC, é fundamental pôr fim à ocupação de território sírio por forças estrangeiras, à ingerência externa no país e ao apoio aos grupos armados terroristas. Só assim, o povo sírio poderá decidir soberanamente do seu destino e assegurar seu Estado livre, soberano, democrático, secular, caminho que verdadeiramente serve a Paz na Síria e na região do Médio Oriente.
A Direção Nacional do CPPC
13-03-2025